Denise Delmiro: Um caso de amor, compromisso e ética com o jornalismo

Foto: Arquivo Pessoal
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Denise Helena Delmiro de Sousa Aguiar, ou simplesmente Denise Delmiro, com apenas 29 anos é hoje uma referência de profissionalismo dentro do jornalismo paraibano. A virginiana natural de Taquaritinga do Norte – PE, é determinada e delicada para realizar a sua profissão com maestria. E foi com ela que realizei essa entrevista, foi um papo de jornalista para jornalista! Conversamos sobre os seus primeiros passos na comunicação, cotidiano da profissão, sua visão sobre alguns pontos específicos dentro desses meios da comunicação e muito mais.

Ela me contou que desde pequena ela sempre foi ativa, sempre gostou de ler e se apresentar. Na escola, gostava de se envolver em espetáculos de teatro e apresentações no geral. Já era nítido que ali existia uma alma desejando se comunicar com o mundo. Ela lembra de uma fase em que estava na igreja e já praticava a comunicação “Na Igreja, com uns 12 a 13 anos, me envolvi na equipe de Liturgia, e amava ler lá na frente para uma igreja lotada ou na festa do padroeiro Santo Amaro, com a cidade cheia de turistas.“ Em meados dos 14 anos de idade, Denise continuava com suas participações e apresentações na igreja católica da sua cidade natal, onde também realizou participações em programas de rádio religiosos e que expandia o amor da garota pela comunicação.

Foto: Arquivo Pessoal
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Também na adolescência que Denise teve um conhecimento maior pelo jornalismo e logo, avisou aos amigos e familiares que o seu sonho era ser repórter. Ela lembra de momentos em que realmente acreditava que a comunicação era o que o fazia tão bem “Tanto que, uma vez, a diretora da escola me colocou junto com um colega para apresentarmos o desfile de 7 de setembro, os dois imitando Fátima Bernardes e William Bonner. Enfim, fui crescendo, e apresentando festas de formatura, 15 anos, desfiles de moda, missas especiais, e aprendendo com tudo isso.” enfatizouA jovem já era tão determinada, que a resposta da vida não poderia ser outra! Com apenas 17 anos, entrou para a faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba e como já era de se esperar, logo conquistou ainda mais o seu espaço.

Um fato curioso que aconteceu, foi que quando eu entrei no curso de comunicação pela Universidade Estadual da Paraíba em 2012, minha turma realizou uma exposição fotográfica e adivinha quem estava lá para fazer a cobertura da exposição? Exatamente, Denise Delmiro. Uma repórter super focada, educada, responsável e muito dedicada, e isso era perceptível na forma em que comandava a equipe e se preocupava com cada detalhe. Outro fato curioso é que a jornalista leva consigo uma frase que a motiva na profissão: “A imprensa existe para satisfazer os aflitos e afligir os satisfeitos”  de Ricardo Noblat. Em 2015, foi realizado um vídeo onde ela contou um pouco sobre o seu começo na emissora, confira:

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Denise hoje é repórter e apresentadora do JPB na TV Paraíba, afiliada da TV Globo em Campina Grande,  e nos contou um pouco sobre sua visão em alguns pontos do jornalismo, como também seu cotidiano na profissão. Leia agora na íntegra a entrevista:

Em 2012, você foi convidada para assumir a bancada do JPB 1ª Edição, no qual você já era repórter da TV Paraíba. Qual foi a sensação de assumir essa bancada? Acredito que é uma responsabilidade muito grande, mas uma alegria muito grande também não é?

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

“Uma responsabilidade gigantesca. As pessoas acham que chego ali um pouco antes do meio-dia e começo a ler tudo e pronto. Na verdade, minha curta rotina na TV é puxadíssima. Chego as 7h, e depois da maquiagem e cabelo, corro para me reunir com meus colegas e definirmos juntos a vida dos repórteres, fazemos uma triagem dos acontecimentos do dia e colocamos as equipes na rua. Depois a gente para, para pensar no jornal do dia e ao mesmo tempo planejamento a semana. Tudo em TV é feito em equipe, sempre! Daqui a pouco é hora de gravar chamadas, escalada e revisar o jornal. Administrar essas adversidades é o que mais me incita no jornalismo, me deixa viva. Assim que fui chamada para assumir a bancada, foi uma alegria imensa mesmo, mas logo depois da notícia veio o peso da responsabilidade. Por isso, procuro sempre estar bem informada, e muito mais além dos fatos jornalísticos. Um apresentador acima de tudo tem que ter pensamento crítico e visão de mundo. Recentemente concluí o mestrado em Desenvolvimento Regional na UEPB, e as discussões em sala, bem como minha pesquisa, me influenciaram a gostar ainda mais de me atualizar nas discussões atuais.

Ultimamente ainda existem pessoas fazendo o papel de jornalista dentro de grandes veículos de comunicação, mas sem ser de fato formado em jornalismo. Qual o seu posicionamento sobre esse impasse?

“Eu sou contra. Para mim, todos tem que ter formação. A formação de um profissional em uma universidade, o prepara muito mais do que só para o mercado de trabalho. É um preparo ético e crítico. O profissional tem que ter bom senso, compreensão, conhecimento, suporte. E tudo isso, só a formação acadêmica é capaz”.

Eu acredito que boa parte das pessoas tenha seus lados políticos definidos, independente de sua profissão. Você como jornalista, analisando essa ultima eleição, acredita que existem veículos de comunicação que defende partido políticos X ou Y?

“Os veículos de comunicação são empresas, e as empresas tem donos, e os donos tem suas opiniões políticas e religiosas. Em alguns, é dada certa liberdade aos jornalistas, em outros veículos não. Depende de gerência para gerência. Claro que existem veículos que de certa forma tendem mais para um lado do que para outro, a imparcialidade plena é uma utopia, é até meio impossível para nós seres humanos. O ser humano em si tem vários lados, não um só. Nosso dever como jornalista é ser justo. Essa é minha opinião. Sempre que uma questão é posta, tentar ouvir todos os lados possíveis e deixar para telespectador definir”.

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Foto: Arquivo Pessoal

Você acha que os meios de comunicação tradicionais, como TV e rádio, estão perdendo espaço devido à internet? Como você analisa o grande número de pessoas conectadas à internet em relação aos outros meios de comunicação? 

“Não acho que tem perdido espaço. Eles têm mudado por causa da internet. Qualquer informação que sai na internet, o dever do rádio e da TV é checar e dar ao ouvinte/telespectador a notícia mais encorpada e checada. Já estamos acostumados com o fato do telespectador ver TV e estar conectado ao celular, isso é uma questão de adaptação, mas dá pra todos os meios se entenderem”.

Foto: Arquivo Pessoal
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Você já trabalhou em rádio, já foi e continua sendo repórter e claro, apresentadora. Tem algo mais na vida profissional que queira realizar? Algum sonho na área profissional?

“Sonhos sempre aparecem, são o tempero da vida. Estou vez por outra emplacando reportagens no Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, no São João, já entrei ao vivo para o Jornal da Globo e Globo Nordeste, e vez por outra faço entradas ao vivo para a Globo News. As entradas em rede nacional tem sido meu estímulo hoje. Os próximos? Só Deus me dirá. E devo tudo a Ele”.

Além da realização pessoal, qual ponto positivo que você destaca como importante na profissão do jornalista?

“O fato de incansavelmente checarmos as informações para os cidadãos. Brigarmos pelos cidadãos. Fiscalizarmos pelos cidadãos. Nós prestamos um serviço enorme para as pessoas. Temos um dever para com elas que vai além do salário”.

Existe um lado ruim em ser jornalista?

Toda profissão tem lado ruim, tudo tem lado ruim. Claro que o salário podia ser melhor, as condições de trabalho também, o estresse menor. Nós ficamos ligados 24h por dia, não paramos – graças ao whatsapp – mas lutar pelo melhor é o que nos estimula a continuar”.

Foto: Arquivo Pessoal
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Pra mim, você é uma das mais competentes jornalistas/apresentadoras no cenário jornalístico atual do Estado da Paraíba. Acredito que não sou o único que pensa assim! As pessoas param você nas ruas para tirar foto e conversar? Como você avalia essa tietagem de seus admiradores?

“Muito obrigada pelo carinho. É emocionante para mim ouvir isso. Eu amo conversar com as pessoas, tirar fotos, ouvir as histórias, os anseios, as lutas. Eu gosto de estar perto de gente. De conhecer gente! Pra mim, essa “tietagem” é uma dádiva de Deus para que eu possa ser uma pessoa melhor a cada dia. Mas eu deixo claro, em especial aos meus colegas estudantes de Jornalismo, que a estrela é sempre A NOTÍCIA”.

Pra fechar fazendo aquela autoanálise, para você quem é a Denise Delmiro?

“Uma menina sempre encantada pela vida, disposta sempre a conhecer o lado bom de tudo”.

 

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