A Reconstrução da Montanha Russa – Tiago Iorc




Eu estava com saudade de escrever aqui nesse espaço mas, nosso Iorc voltou e pensei “Porque não?”. Em 2016 fizemos o nosso #Discotecando com Tiago, estava conquistando o Brasil com “Amei Te Ver” e desde então só cresceu. Voltando para o atual, “o presente” foi o que o artista trouxe pra gente na madrugada do último domingo (05) após tantos meses longe dos holofotes e dos palcos. #Reconstrução é o nome do seu atual trabalho e aqui pra nós, que saudade que estávamos de você Tiago Iorc. Embora acho que vem mais coisas por aí, o jovem Iorc segue misterioso e quietinho. Ficaremos atentos!

Você achou mesmo que o dono de “Amei Te Ver”, “Alexandria”, “Coisa linda” e  “Cataflor” ia voltar só com um CD simplesmente? Não não! Ele voltou com o álbum “Reconstrução” possuindo 13 canções inéditas, disponíveis em todas as plataformas, e cada música com seu clipe. Achou pouco? Se você juntar todos os clipes se transformam em um verdadeiro FILME! Isso mesmo, um filme! A produção teve a direção do próprio Tiago Iorc, a direção de fotográfica ficou com  Rafael Trindade, e a Michele Alves é a atriz linda que aparece em todos os clipes. O álbum é uma montanha russa, que começa lento trazendo como inspiração a própria solidão, depois traz a expectativa de estar com alguém e segue mostrando os altos e baixos da vida, terminando na calmaria e na reflexão. Vamos falar mais em cada vídeo? Uma dica: Assista ao clipe e depois leia o comentário. Aperta o play:

Tiago é um hino. Quantos assuntos foram citados nesses clipes com uma delicadeza tão peculiar. A primeira música do álbum é “Desconstrução” e ela traz uma reflexão muito oportuna para as necessidades que temos hoje. Quantas pessoas pintam as suas dores pra sair de casa? Pra tirar uma foto? Pra ganhar curtidas nas redes sociais? Pra mostrar que está feliz, quando na verdade não está. Aparenta ser timidez, mas não é. Essa canção é um reflexão muito forte. “Ela era só uma menina. Ninguém notou a sua depressão. Seguiu o bando a deslizar a mão. Para assegurar uma curtida.” Nossa felicidade está dependente das curtidas nas redes sociais ou seria as redes sociais a nova “maquiagem” para quando se está aprofundando nos seus próprios pensamentos? Precisamos refletir sobre isso. Com nós mesmo. Com nossos próximos. Com quem amamos. Se conhecer melhor, aceitar ajuda, se amar mais.

“Hoje Eu Lembrei Do Seu Amor” é quando a montanha russa começa a subir, que chega a adrenalina e o frio na barriga se espalha pelo corpo. Essa música traz memórias sobre um relacionamento amoroso mas ao mesmo tempo frisando que não existe amor perfeito, que não existe pessoas perfeitas. Ah que saudade! “Não há Chance de apagar / Deixa demorar / Lembrar você é bom demais / Vivemos tanta coisa, lembra? / Tanto pra acertar / O tempo pra curar / A mágoa que ficou pra trás / Valeu minha vida inteira”. E o amor começa, ambos com vontade de recomeçar quantas vezes for necessário. Acredito que amor (até o próprio) tem que ser acreditado, se reinventar e se construir todos os dias. Todo dia é um recomeço. Uma chance de sermos melhores e fazer o melhor.

Perfeição só existe na ficção, acredite! “Deitada Nessa Cama” traz os desentendimentos, problemas que fazem com o que nos afastamos de algumas pessoas. “Vamos fugir / Eu em você / Você em mim / Simples assim / Vamos sumir / Desaparecer” Por hora, isso é o que queríamos fazer com as pessoas que amamos. A vida é tão passageira não é? Talvez isso seja uma visão de uma pessoa que tem problemas com ansiedade (eu mesmo) mas, a vida é tão curta pra gente perder tempo distante de quem amamos, deixar de viver momentos felizes por falta de um diálogo, de uma conversa, de um entendimento. Vamos diminuir os muros (que na vida já tem bastante), confiar em quem realmente está conosco em todos os momentos, “na saúde e na doença” de verdade. Não fique apenas “Deitada Nessa Cama”, viva intensamente essa montanha russa. O tempo tá correndo, a vida está passando e não volta mais. O dia de ontem não volta.

Os canções são muito minimalistas, tanto nas letras como nos próprios clipes. “Fuzuê” é sobre as idas e voltas mas você também, dá para dançar nesta canção (risos). A música é uma das mais dançantes do álbum, nem que seja os ombos você irá balançar! O Tiago aparece por trás de um tecido e fica fazendo o “gasparzinho”. Seria essa a música do “Crush gasparzinho”? Hahaha E daí você se ilude, faz planos, cria expectativa e some. “E quando penso / Que eu não quero nunca mais te ver / Vem você me aparece / Cheia de querer/ Chega e beija minha boca / Faz um fuzuê.” Mas quer uma dica? Faz fuzuê atoa não. Viva!

Depois do “Troco Likes” é a vez do “Troco Nudes”, né Sr Tiago Iorc? hahaha Vocês estão entendendo por que falei que esse filme é uma “Montanha Russa”? “Faz” é uma música que traz a intimidade do casal, tem um “ar” sexy, de relacionamento intenso e também, os detalhes mais profundos de cada um. Olha esse trecho:

Tudo eu adoro em você
Do teu defeito ao teu prazer
Te quero tanto
Tanto

Não precisa cena erótica
Gosto de você neurótica
E não fugaz
Quero mais

Lembra que as músicas anteriores a gente falou sobre problemas, discussões entre os casais e sobre as questões de cada um? Nesse clipe o casal passa por cima desse feito. “Do teu defeito ao teu prazer, te quero tanto” e diz mais “Não precisa cena erótica, gosto de você neurótica e não fugaz, quero mais!”. Aqui o casal toma outro rumo, um rumo mais maduro e passa a se compreender mais. Amar é isso né? Aceitar que todos tem seus defeitos mas também, muitas qualidades. Viver intenso e com prazer. “Faz” tem muito prazer!

Essa é uma delicia e já começa pelo nome! Uma boca hipnotizante faz todo o clipe e que faz relação com o doce da “Tangerina”. “Ninguém faz melhor / Que você e eu / Me agarro na tua nuca / Daqui não largo nunca mais”. Esse clipe traz a sina da provocação, do sentimentos ao estar com outro, sobre ir ao céu e voltar pra terra. Montanha russa, lembra? “Sabe Me provocar / Desce / Me domina / Me arranha / E me ganha”. É o normal do ácido e doce da Tangerina na vida a dois.

É sobre amar e recomeçar, sem desfazer os Laços. No clipe de “Desconstrução”, a primeira música do álbum, traz o mesmo espelho que foi usado neste clipe de agora, na primeira música ela se olhava no espelho e não auto se olhava, via o espelho como se tivesse esperando a aprovação dos outros (Curtidas). Já em “Laços”, ela sai do espelho e traz uma leveza e a alegria de viver. “Se conhecer pra se gostar”, forte não é? Recomeçar talvez seja um dos sobrenomes desse projeto. “Todo suspiro é gratidão / De ver entrelaçar as mãos / Que juntas podem muito mais”, é sobre amar quem está ao nosso lado, fazer chover quando se quer, não desfazer os Laços que nos faz viver, não deixar pra amanhã a gratidão que temos pra dar hoje.

“Nessa Paz Eu Vou” é como segue a nossa montanha russa agora. Momento de paz interior! A felicidade de ter alguém pra dividir suas conquistas, curiosidades, problemas, a companhia, sentar e conversar, dançar na chuva sem medo, viajar com alguém do lado, cozinhar juntos, falar sobre decoração, sugerir um quadro novo para colocar na sala, se jogar no chão pra assistir serie, falar besteira e confiar a vida inteira. Que paz! Essa música é sobre isso. Sentimentos simples, nada revolucionário mas, que fazem toda diferença. Assiste esse clipe, ouve essa música por favor! Se liga nessa paz e fique munido de amor.

“Chegue um pouco mais
Deixe isso pra lá
Vem, desligue essa doideira
Quero te lembrar
Coisas triviais
Domingar a quarta feira”

Esse álbum é sentimento puro! “Como é gostoso te amar e como tu me faz sentir” como o outro te faz sentir? “Tua Caramassa” te faz sentir bem? Te motiva? Faz você se sentir leve? O clipe brinca com o rosto da atriz, mostrando as várias “caras” que fazemos no cotidiano. Mas a letra “Tu é coisa rara e nem se compara, nesse bando de alma rasa”, é uma das poucas músicas dançantes, dá pra balançar os ombros (Risos). Mas é uma sonoridade tão rica, letra tão gostosa, visualmente tão detalhistas, que se é dançante ou não deixa de ser um critério e se torna um mero item. A sintonia é o que nos consome durante todo o álbum.

Depois desse “auê” todo, gostaríamos mesmo era de ser convidado pra dançar! Sem medo de ser feliz e dividir as loucuras diárias. Todo misterioso esse menino! Reparem uma coisa, “Me Tira Pra Dançar” começa cada um pulando e fazendo o corpo se mexer do seu jeito, da sua forma louca de ser. Do meio pro fim, eles dançam juntos e de corpo colado e depois dançam separados novamente, porém cada um mostra a sua dança para o outro, respeitando o espaço, suas loucuras, seu jeito de enxergar o ritmo individual e no fim, estão de costas um para o outro, mostrando a sequencia para o próximo clipe. Explicando é meio confuso não é? rs Mas é uma delicia de simplicidade. “Me Tira Pra Dançar”, poderia se chamar também “Me Chama Pra Voar” porque senti meus pés fora do chão. Ah, a música também tem um toque de MPB, meio bossa nova. Ser feliz, fazer o outro rir, rir de si mesmo, a vida é feito a dança e possui vários ritmos.

“A Vida Nunca Cansa” e pede pra gente seguir, continuar nos trilhos. O visual desse clipe me lembrou muito o do “Amei Te Ver”, mas o contexto é completamente diferente. Decepções, ilusões amorosas, pedras no caminho… Tudo faz parte da vida, e ela não cansa. E no meio disso tudo, a gente dança conforme a música da vida. Aceitando as mudanças, os altos e baixos e se refaz. O clipe termina com os dois de costas um para o outro, de frente ao espelho (que dependendo do ponto de vista é mais protagonistas que o Tiago e a Michele). Cada um em seu canto, o reflexo do espelho se confunde com o reflexo da vida de cada um. E a vida segue, nunca cansa.

Quando menos imaginei, estava os três chorando! (Dê o play no clipe e você irá entender). A canção “Bilhetes” é um grande “TBT” do próprio filme, vai além daquele bilhete deixado em cima da mesa ou grudado no espelho do quarto, traz as lembranças dos momentos plenos, dos beijos compartilhados, dos amor vivido. Sente-se saudade, um nó na garganta, não se sabe se é “liberdade ou solidão” ou é apenas um recomeço em forma de Bilhete: “E se caso for / De ter que esperar / A chuva se vai / Pra tudo recomeçar / Tudo vai recomeçar…” Recomeçar. Refazer. Ser mais uma vez. Porque a vida é isso, feita de aprendizados e recomeços. Se liga nesse trecho:

“Escrevo em um bilhete:
Ame tudo que puder
Seja o que for
Venha o que vier”

Ame, ame e ame mais uma vez! Somos instantes, momentos, felicidades é feita por momentos, segundos. Ame hoje, ame o presente. Não desperdice o carinho, a gratidão e o amor, demostre isso nem que seja com um Bilhete!

Chegamos na última canção. Já dançamos, sorrimos, refletimos e recomeçamos. “Sei” que na vida seguimos sozinhos, só apenas com as nossas emoções na mala. Lembra da mala que ela fez no clipe “Bilhetes” com todos os momentos vividos? Pois então, é o mesmo que ela carrega agora e a imagem que finaliza este clipe é a imagem que inicia o primeiro clipe, o “Desconstrução”, esse ciclo é a vida.

Lendo comentários de algumas pessoas, vi coisas do tipo “Nossa, Tiago fez a mesma coisa de novo” ou “Decepcionado, nada de inovador”. Pra mim, senti a essência do mesmo Tiago de quando cantava “Nothing But a Song” há mais de 10 anos, só que agora está mais maduro, tocando em temas fortes como depressão, falta de autoestima, necessidade de ser aceito nas principalmente nas redes sociais, solidão e fazendo as pessoas flutuarem de sentimentos, reflexões e tudo feito com muita delicadeza. E é preciso a mesma delicadeza para filtrar a melodia, de sentir os gestos dos clipes e até, sentir o gosto da Tangerina. Nós estávamos precisando dessa #Reconstrução, obrigado Tiago Iorc.




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Glêbson Rodrigues